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“A experiência me ensinou a negociar melhor e a não perder tempo com o que não vale a pena”

Empreendedor de 60 anos afirma que inclusão digital dos mais velhos é uma prioridade

Há dez anos, quando tinha 50, Ricardo Pessoa apresentou um projeto de startup na área de telemedicina. Apesar de a ideia ter sido bem recebida, acabou não sendo contemplado com o aporte de capital do fundo de investimentos. Foi investigar o motivo e o que descobriu o deixou enfurecido: “no relatório, eu era descrito como um CEO muito articulado, mas que já tinha 50 anos. Ou seja, na visão dos analistas, estava velho demais para empreender”. O “já” em negrito é por minha conta, para enfatizar o descalabro da situação. Ainda bem que ignorou o preconceito e seguiu em frente – afinal, tinha aberto sua primeira empresa com 29 anos.

Tive o prazer de conhecê-lo ao escrever uma coluna sobre negócios voltados para a longevidade selecionados para um programa de aceleração. Sua startup, a SeniorGeek, estava entre eles, mas a estrada como empreendedor é longa. Engenheiro formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, aos 27 anos decidiu passar dois anos na Alemanha, com uma bolsa da Fundação Krupp. De volta ao Brasil, abriu uma firma de consultoria e desenvolvimento de sistemas. Na sequência, vieram empresas ligadas ao meio ambiente, educação à distância e telemedicina, até decidir, em 2015, embarcar no oceano da longevidade, com foco em inclusão digital. “Sem tecnologia, os mais velhos estão condenados à invisibilidade política”, afirma.

Utilizou o WhatsApp como plataforma de comunicação pedagógica no Saber para Cuidar, voltado para cuidadores de pacientes de Alzheimer, e ampliou o escopo do negócio incluindo informações para portadores de diabetes. “O volume de dados de que dispomos mostra a verdadeira jornada do paciente, detalha o que acontece com a pessoa e sua família depois do diagnóstico”, analisa. O projeto e sua metodologia serão implantados pelo SUS no Vale da Ribeira (SP), no tratamento de pacientes crônicos e gestantes.

O sotaque nordestino é forte, mas ele nasceu no Rio de Janeiro. Passou boa parte de infância entre os Estados Unidos e o México, mas a mãe decidiu buscar a acolhida da família, em Natal, no Rio Grande do Norte, quando ficou viúva. Em homenagem a ela, criou com as irmãs a Casa Séfora, que leva seu nome: um espaço de economia compartilhada, do qual participavam 20 empresas, que espera a pandemia passar para voltar a pleno vapor. Considera uma missão ampliar o protagonismo sênior ou, como define bem-humorado, “aumentar a ‘trababilhidade’ dos mais velhos”, e se inclui nesse grupo: “pretendo trabalhar até morrer, porque parar é a morte. Na minha vida toda, sempre busquei entender as necessidades do outro. No universo da longevidade, agora estou pensando em mim, trabalhando para mim”. Quero saber de onde vem tanta energia e a resposta é simples: “hoje trabalho menos porque a experiência me ensinou a negociar melhor e a não perder tempo com o que não vale a pena”.
 

Fonte: G1

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