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Sindafep apoia educação financeira no currículo escolar do Paraná

Parceria entre Estado e Banco Central busca formar cidadãos mais conscientes e diminuir o endividamento das famílias

Com a chegada da pandemia, milhões de famílias perderam seus empregos ou tiveram redução em suas jornadas de trabalho e, consequentemente, queda em suas rendas. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), apesar de uma leve redução, o Paraná é um dos estados com o maior número de pessoas endividadas. Em agosto, 89,4% dos paranaenses possuíam algum tipo de dívida, a maioria com cartão de crédito. Nos meses de abril e julho, já durante a pandemia, foi registrada a maior taxa: 90%.

Mas se por um lado o endividamento é um problema para as famílias, do outro é possível auxiliar os consumidores a terem controle de suas finanças. A Secretaria de Estado da Educação, em parceria com o Banco Central, está implementando em 188 escolas, entre estaduais e municipais, o Programa Aprender Valor, que vai incluir a educação financeira nas aulas de Língua Portuguesa, Matemática, Geografia e História. O Paraná é o primeiro a receber o programa, que é financiado pelo Fundo de Defesa de Direitos Difusos, do Ministério da Justiça.

Segundo o Secretário de Estado da Educação e Esporte do Paraná, Renato Feder, o objetivo da educação financeira é estabelecer desde cedo uma relação saudável dos alunos com seus recursos pessoais. “Planejar, poupar e usar bem o crédito são saberes e competências que melhoram a vida das pessoas. A educação financeira é fundamental para a democratização do sistema financeiro e para a emancipação da pessoa e sua sustentabilidade financeira” explica Feder. “Quem se relaciona bem com o dinheiro realiza sonhos próprios e daqueles que estão à sua volta”, conclui.

A inclusão da educação financeira nas escolas está de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Aprovada em 2018, ela traz os conteúdos essenciais que estudantes do ensino infantil, fundamental e médio devem ter em sua trajetória escolar. Entre as competências a serem desenvolvidas pelos alunos estão a responsabilidade e cidadania, o que inclui a educação financeira no leque de conhecimentos. Saber a importância do dinheiro, como poupar e planejar os gastos serão alguns dos tópicos abordados. Neste primeiro momento, alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental vão ter os conhecimentos adicionados às disciplinas.

Assim como a educação financeira é importante para conscientizar a população sobre o endividamento e como planejar seus gastos, a educação fiscal ensina sobre como uma compra no comércio contribui para a manutenção de serviços públicos. Baseada nas premissas da função social do tributo e da necessidade de fiscalização do gasto público, ela permite ao cidadão que, consciente daquilo que paga de imposto, possa cobrar o retorno em saúde, educação e segurança, por exemplo.

O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (Sindafep) é um dos principais incentivadores da educação fiscal no estado. No ano 2000, ainda de modo transversal, a entidade criou uma brincadeira para os filhos dos Auditores Fiscais, a Vendinha do Fisco. Pioneira no Paraná, a Vendinha simula um ambiente de compra e venda em que as crianças aprendem conceitos como orçamento público, o que é imposto, seu recolhimento e como ele é utilizado. Todas as Delegacias Regionais da Receita possuem um exemplar da atividade, sendo que o material fica à disposição das escolas para realizarem ações de educação fiscal com os alunos.

No início de setembro, com coorganização e patrocínio do Sindafep, foi realizado o XXI Seminário Paranaense de Educação Fiscal com o tema “A Educação Fiscal e o Controle Social no Contexto da Pandemia”, contando com palestras e atividades culturais, reunindo professores e alunos de todo o Brasil, já que devido a pandemia o evento foi realizado de forma virtual. A professora de Artes do município de Pérola, Deolinda Cornicelli Buosi, foi uma das palestrantes do Seminário e trabalha a educação fiscal em suas aulas. “Nós percebemos muitas fragilidades aqui na cidade, de que não havia nada voltado para a arte. Questionamos então à administração pública se tinha uma verba destinada para a arte e cultura e, se tinha, por que não estava sendo destinada para esse fim”, conta Deolinda.

A professora passou a inserir temas como corrupção em suas aulas, utilizando a arte para despertar o interesse dos alunos pelo tema. “Os estudantes fizeram teatro, paródias, desenhos, cartazes. Fomos criando atividades artísticas a partir do tema educação fiscal”, explica. A nota fiscal também foi tema das aulas, incentivando o CPF na Nota e cadastrando instituições para receberem os créditos do programa. “Eu não consigo mais ensinar sem falar de educação fiscal, pois para mim isso é a base da cidadania e da formação cidadã”, completa Deolinda.

O Sindafep apoia as iniciativas de educação fiscal e financeira, já que elas são o primeiro passo para termos uma sociedade mais consciente sobre a importância dos tributos e sua função social, a fiscalização dos gastos dos gestores públicos para ver se os recursos estão sendo aplicados em serviços para a população, e também sobre a necessidade de planejamento dos gastos pessoais, evitando o endividamento e, por consequência, problemas financeiros. Além disso, ensinar as crianças contribui tanto para formar cidadãos mais conscientes quanto para disseminar os conhecimentos recebidos.

Saiba mais sobre o XXI Seminário de Educação Fiscal clicando aqui.
 

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