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O que você vai ser quando envelhecer?

O questionamento é uma analogia à clássica pergunta feita na infância e direcionada para reflexão sobre como é possível avançar para um futuro mais velho e de qualidade

O livro “O que você vai ser quando envelhecer?”, escrito pela jornalista gaúcha, radicada em Santa Catarina, Lena Obst, busca mostrar um olhar “de perto e com carinho” sobre o inevitável passar dos anos. A autora destaca em seu livro que é indispensável preparar o futuro, cada dia mais rápido e mais longevo.

No entanto, longevidade, que pode representar um bem e também plenitude, precisa ser cuidadosamente planejada. Envelhecer com saúde implica fazer boas escolhas ao longo de toda vida. Desde sempre. O bem envelhecer costuma ser, na maioria das vezes, quase que inevitavelmente, o saldo do projeto de vida que se buscou. Ou seja: “A concepção de que viver mais é um verdadeiro privilégio, quando planejado de forma a acumular sabedoria, saúde, experiência, recursos financeiros, serenidade, realizações e afetos”, como bem diz a jornalista na orelha de seu livro.

Os “novos velhos” que vêm chegando à maturidade ativos e cheios de sonhos, que ainda desejam realizar, são consequência direta das crianças, dos adolescentes, jovens adultos, quarentões ou até cinquentões que foram. Não há milagres. Há empenho. Porém, embora o tempo não volte atrás, sempre é tempo de começar (ou recomeçar).

A “receita”, todos sabemos. Além de cuidar da alimentação, da atividade física, enfim, da saúde de modo geral, é fundamental cuidar da mente. O que é preciso é atitude. Exemplos temos muitos, atualmente. Artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Luiza Brunet e Jane Fonda são só alguns dos idosos mais conhecidos, que empurraram a velhice para longe e mostraram que é possível ser jovem (ou, se você preferir, jovial) aos 70 anos, 80 anos ou mais. Como bem exemplifica o, também longevo, cartunista e caricaturista Paulo Caruso, no livro da jornalista.

Projeções e reflexões práticas

Nos últimos 30 a 40 anos, o Brasil passou por uma transição demográfica e, diferentemente do que ocorreu nos países desenvolvidos, vem se deparando com o envelhecimento da população de forma rápida. Envelhecendo, antes de enriquecer e se preparar para essa nova realidade. E o desafio é como oportunizar qualidade de vida a esses idosos que estão cada vez mais numerosos. No Paraná, 12% a 13% da população já integra a faixa etária de pessoas acima de 60 anos.

Segundo aponta o médico geriatra, Marcos Cabrera, não demora muito e alcançaremos a estatística percentual de idosos de países como a Itália, por exemplo, em que 25% da população tem mais do que 60, o que significa que uma a cada quatro pessoas pertence a essa faixa etária. “Você pode me perguntar por que isso aconteceu? As pessoas estão vivendo melhor? Não. O que acontece é que doenças de alta mortalidade foram controladas, como é o exemplo das infecciosas. Com a chegada dos antibióticos, paramos de morrer de pneumonia, amidalite e passamos a morrer mais tarde de outras doenças. A ciência retardou a morte, porém quem dá o requinte e qualidade à vida longeva são os próprios indivíduos e as escolhas que fazem”, avalia Cabrera.

Embora a ciência, durante muitos anos, tenha relacionado uma vida longeva à manutenção de bons hábitos, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e dormir bem, há um debate comportamental emergindo. O geriatra não diminui a importância dessas questões alinhadas à biologia humana, porém as emoções estão ganhando notoriedade entre os estudiosos da área. “Hoje, reconhecemos que essa questão vai além do biológico, e passa pela estrutura familiar também. Isso inclui o fato de a pessoa cultivar a sociabilidade e partilhar a vida com alguém. Além de se ter um papel na sociedade e se está inserido no contexto social, por exemplo. Todas essas questões têm se demonstrado extremamente importantes e vêm ganhando holofotes da ciência. Vários outros comportamentos e a atitude de gratidão, observados pela psicologia positiva, também vêm sendo considerados”, explica.

Novos papéis

“De dentro para fora”, acredita Cabrera. Esse é o movimento que vai determinar como será o envelhecimento da população nos próximos anos. Na sociedade, portanto, cada indivíduo vive uma descoberta de quais são os papéis dessa terceira idade, e se torna possível imaginar um ‘velhinho funcional’, apesar de eventuais problemas de saúde. “A longevidade está sendo desvendada, e gradativamente descobrimos novos papéis para o idoso para que seja um indivíduo-cidadão”, destaca o médico.

Segundo dados da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, o número de pessoas com 65 anos ou mais em vagas com carteira assinada aumentou 43% em quatro anos. Além disso, uma pesquisa realizada pela PWC prevê que até 2040, 57% do mercado de trabalho será composto por profissionais com idade acima dos 45 anos. O cenário é promissor e promove uma excelente oportunidade para desenvolvimento conjunto, pois pessoas mais novas se conectam com pessoas mais experientes, e essas últimas têm a chance de dar continuidade à carreira.

Ainda está se perguntando se vai ter disposição e condições financeiras de chegar até lá? Cabrera é categórico em afirmar que a decisão pelo futuro começa no agora, e que a tecnologia será apenas uma ferramenta para nos distanciar do dia do juízo final, porém continua sendo inevitável chegar até ele. A mudança ocorre a partir da percepção de cada um. “Essa saúde física, mental e financeira dos indivíduos depende muito mais da atitude individual, a partir de uma tomada de decisão própria, do que do coletivo. Devemos atuar como gestores pessoais para envelhecer com saúde”, afirma.

Fonte: Revista Ampla

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