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Silenciosa e passível de complicação: é preciso falar sempre sobre diabetes

No dia 14 de novembro foi celebrado o Dia Mundial do Diabetes. A data foi criada pela IDF (International Diabetes Federation) em parceria com a OMS (Organização Mundial de Saúde) e tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da doença e seu controle para evitar complicações.
 
Será que todos têm consciência da importância do controle do diabetes para a manutenção da qualidade de vida?
 
É fundamental ressaltar que seu mau controle guarda estreita relação com complicações cardiovasculares, renais, cegueira, amputações e até mesmo aumento da mortalidade. No momento atual de pandemia, o descontrole dos níveis de glicemia claramente aumenta o risco de complicações para quem contrai o coronavírus.
 
Talvez faltem campanhas que esclareçam estes fatos visto que o número de diabéticos no mundo mais que triplicou nos últimos 20 anos. Passamos de 150 milhões de pessoas no ano 2000 para inaceitáveis 463 milhões em 2019 (mesmo considerando o aumento de 25% da população mundial nesse período). Isto quer dizer que uma em cada 15 pessoas sofre desta doença.
 
A IDF prevê para 2040 que 640 milhões de pessoas serão portadoras de diabetes.
 
No nosso país, mais de 13 milhões de pessoas convivem com esse diagnóstico, e ainda assim, a desinformação sobre essa doença é grande. Acredita-se que apenas 20% dos pacientes têm controle adequado dos níveis de açúcar no sangue, o que fatalmente implicará em complicações futuras.
 
Isso talvez por tratar-se de uma doença silenciosa, pois o aumento dos níveis de glicose no sangue nem sempre gera sintomas.
 
Responsável por perda de produtividade e incapacidade, a doença impõe grande carga econômica aos sistemas de saúde do Brasil e do mundo.
 
Em 2019, o diabetes foi responsável por 11% do gasto total com saúde no mundo, o que representou aproximadamente US$ 760 bilhões.
 
Mesmo assim, a doença está entre as 10 principais causas de mortalidade e quase metade desses óbitos em pessoas com menos de 60 anos. Calcula-se que 11,3% das mortes no mundo acontecem devido ao diabetes, o que faz dela a responsável por 4,5 milhões de óbitos em 2019. Ou seja, 1 pessoa a cada 8 segundos.
 
Por que ocorre esse aumento?
 
Óbvio está que não tratamos aqui do diabetes tipo 1 (chamado insulino dependente), visto que esta é uma doença imunológica e representa menos de 10% dos diabéticos. Assim, não guarda relação com hábitos e estilo de vida.
 
Também nesse dados acima, está excluído o tipo gestacional, que é caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez, embora este também, segundo o Ministério da Saúde, nas últimas duas décadas tenha aumentado sua incidência, pois também guarda relação com a obesidade ou ganho de peso excessivo (a hipertensão e a idade materna mais avançada são outros dos fatores de risco para esta doença).
 
Tratamos aqui do chamado diabetes insulino independente ou tipo 2, que ocorre quando o corpo não produz insulina ou cria resistência a ela. Esse tipo corresponde aproximadamente a 90% de todos os casos de diabetes.
 
Uma série de fatores são responsáveis pelo aumento da incidência da desse tipo de diabetes no mundo. O aumento da longevidade, o estilo de vida mais urbano com aumento de ingestão de alimentos processados e o sedentarismo estão entre os principais fatores. A consequência desse estilo é via de regra o ganho de peso e este, sim, tem uma relação estreita e quase que direta com o diabetes tipo 2.
 
Lógico que uma vida saudável e longeva não se conquista com atitudes isoladas. Ela é a somatória do estilo de vida que engloba a forma como as pessoas vivem, as escolhas que fazem, suas tendências genéticas, seu desenvolvimento emocional e suas relações sociais e práticas sociáveis.
 
O objetivo aqui é propor reflexões sobre escolhas de vida mais conscientes. Ignorar doenças ou seu controle não é sinônimo de força.
 
Algumas empresas já perceberam isso e realizam possibilidades de melhorias na qualidade de vida de seus funcionários.
 
Assim como diz o professor Robert Karch (Universidade Maryland): "Nem todas as empresas precisam investir na qualidade de vida e promoção de saúde. Só aquelas que querem sobreviver e ser competitivas no século 21".
 

Fonte: UOL

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